segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Nível da barragem abaixa e cemitério inundado há 35 anos reaparece.


A pior estiagem dos últimos 40 anos que atinge todo o Norte de Minas tem causado sofrimento para o sertanejo, que precisa conviver com a perda de lavouras e a mortandade de animais. O longo período de chuvas escassas e irregulares, que segundo especialistas se arrastam há alguns anos, está alterando o volume dos recursos hídricos da região. No balneário Bico da Pedra, em Janaúba (MG), o nível da água baixou e causou espanto para a população, ao deixar exposto um antigo cemitério, desconhecido pela maioria da população. Os amigos Cláudio Pereira e Irineu Veríssimo estiveram no local. O surgimento do cemitério se tornou um dos assuntos mais comentados da cidade.

“As pessoas não falam em outra coisa. Muitas ainda chegam a dizer que outros cemitérios aparecerão”, conta Cláudio.

Além do boca-a-boca, a novidade está sendo amplamente divulgada na internet. “Fiquei sabendo pelas redes sociais, já que muitas pessoas tiraram fotos. Ficamos curiosos e resolvemos ver de perto”, diz Daniel.
De acordo com a Divisão de Irrigação do Gorutuba, a barragem do Bico da Pedra está com 28% da capacidade total, que é de 560 milhões de metros cúbicos. O reservatório está 12 metros abaixo do nível normal.       
A população da cidade conta que os mortos eram enterrados na comunidade de São José, mas com as cheias do rio Gorutuba, não era possível chegar ao local, e as pessoas acabavam sendo sepultadas em outros cemitérios.
Cerca de 20 cruzes estão visíveis, em algumas delas ainda é possível identificar a data e o nome do falecido. A primeira cruz surgiu há cerca de dois metros da margem do reservatório.  O estado de conservação impressiona, já que a barragem foi construída há 35 anos.
“As cruzes estão praticamente intactas porque foram feitas de madeiras resistentes, de aroeira ou braúna”, fala o comerciante Adriano Oliveira. Ele diz ainda ter sido uma surpresa descobrir a existência do cemitério. "Há muitas pessoas de Janaúba afirmando que têm parentes enterrados aqui", diz.
O empresário João Oliveira dos Santos tem um restaurante às margens do balneário, a 200 metros do cemitério. Ele conta que desde o aparecimento das cruzes, em julho, muitas pessoas estão indo ao local para rezar e levar flores.
“O movimento aumentou muito. Os frequentadores são parentes dos mortos, ou simplesmente curiosos”. João mora no local e afirma que apesar de alguns terem medo, ele continua levando a vida com a mesma tranquilidade de sempre.
“A gente tem que ter medo é dos vivos, de quem morreu a gente tem que ter é só saudade.”


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